As desmoralizadas pesquisas – Como mentir usando estatísticas

Alguém com um fogareiro nos pés e a cabeça num iglu, em média está numa temperatura confortável.

Caso o jornalista estadunidense, Darrel Huff (1913-2001) estivesse vivo, certamente estaria atento aos fantásticos números de aprovação do Senhor Luís Inácio Lula da Silva e a ‘popularidade’ de sua pupila Dilma Rusself.

Os números, sem dúvida, constituiriam um excelente material para uma nova edição de seu livro How to lie with statistics – ‘Como mentir usando estatísticas’, publicado nos Estados Unidos em 1954. Os dados não coincidem com o que se vê, ouve e sente por todos os lados.

Como é que pode? _Simples, maquia-se os números e, sem mentir, não se diz toda a verdade. As Estatísticas ajudam a maquiar os dados.

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O livro de Darrel Huff mostra como o uso de certas estatísticas pode fazer valer mensagens contraditórias ou meias verdades. Na realidade, nem sequer é preciso mentir, apenas mostrar a informação conveniente e omitir as outras, como diria Rubens Ricupero: “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”.

O descrédito, junto aos que ainda pensam, quanto a esse expediente é tanto, que transformou-se em chacota: “estatística é um cidadão está com um fogareiro nos pés e a cabeça dentro de um iglu, mas em média, ele está numa temperatura confortável”.

Ou, é mais ou menos como afirmar que 90% da população estão doentes baseado em dados colhidos em hospitais. Isso é estatística. Os números não mentem, dizem. A questão está na utilização da estatística, que deveria seguir a lógica da ética, mas obedece mesmo é aos interesses do momento e ao mercado. E isso ocorre em quase todos os setores de nossas vidas.

De acordo com os estudiosos, as informações utilizadas para opinar, escolher, comprar, absorver são criadas com a intenção de promoção de produtos, pessoas, causas, políticos e governos.

Cynthia Crossen, jornalista estadunidense, em seu livro – O Fundo Falso das Pesquisas – (Revan, Rio, 1996) – conseguiu provar, por exemplo, as mentiras do Instituto Gallup. Concluiu que:

“No campo das pesquisas, entre desonestidade e honestidade, há uma crescente área de sombra.”. “Os números parecem conferir um senso de racionalidade para as decisões complexas, numa “crescente sensação de que nada pode ser definido como verdade a não ser que seja sustentado por uma pesquisa estatística.”.

As informações vêm “vestidas em complexas tabelas e gráficos, medindo, geralmente de maneira rude, do décimo ao centésimo de um ponto decimal, o empacotamento das conclusões de uma pesquisa faz com que elas pareçam ainda mais intimidadoras do que realmente são.

As únicas pessoas que podem analisar as pesquisas são aquelas que as fazem. Acrescente-se o interesse da imprensa brasileira em fortalecer as mentiras favoráveis ao governo e aos próprios cofres e o desinteresse da população pela verdade.

As práticas de manipulação de números deixam claro que no campo da Estatística não é suficiente a competência dos estatísticos e a postura ética de veicular ou se utilizar dos dados. É preciso, principalmente, a competência técnica e postura crítica do “consumidor”, do público, contribuinte, eleitor etc., o que praticamente inexiste em nosso País.

E é acreditando nesse desconhecimento que o manipulador se apóia. O Jornal Nacional, por exemplo, é useiro e vezeiro na utilização de estatísticas, de acordo com as conveniências da empresa ou de quem defende, normalmente do Governo, Ongs, grupos empresariais etc., envolvendo os mais variados assuntos.

Vão da questão racial ao número de aposentados fantasmas; do camelô ao nível das escolas e da educação. São infinitos os interesses assim como os dados estatísticos e os alvos, quase sempre manipulados de forma a agradar o “freguês” e ludibriar os incautos.

Diariamente os jornais e revistas trazem um sem número de dados, gráficos e informações devidamente conferidas em suas fontes. No entanto, expressam as tendências das fontes e dos próprios órgãos de divulgação que escolhem as fontes que são mais de acordo com suas próprias tendências e interesses. Também nesse quesito vale no Brasil, literalmente, a velha máxima do me engana que eu gosto.

E ainda pago por isso.

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