Minas e o magnânimo Eike

25/04/2011 por blogdojua

 Estado precisa um século em royalties da mineração para
se igualar ao bilionário brasileiro em fortuna acumulada

O homem mais rico do Brasil, e postulado como o 8º mais abastado do mundo pela revista Forbes, o senhor Eike Batista, que para os íntimos é “Aike”, é um poço de magnanimidade para com os mineiros e Minas Gerais. Claro, para fazer jus a tal virtude, conta com  ouvidos moucos, vistas cegas e mentes ocas de VIPs – Very Importantes Políticos. Sua fortuna é calculada ou apontada como sendo de 30 bilhões de dólares, fora o por fora.

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Em 2009, o longânime bilionário foi nutrido às pamparras e em opulência, em meio a pompas e circunstâncias, devido ao fato de suas empresas ter patrocinado o Museu de Minas e do Metal, orçado em R$ 20 milhões. O espaço reúne acervo sobre mineração e metalurgia, duas das principais atividades econômicas mineiras, na antiga Secretaria de Estado de Educação, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte.

Embora tido como um espaço que “valoriza riquezas, tecnologia e educação” do Estado, que conta a história e mostre, por diversos meios, o processo de mineração, o Museu, as autoridades e os críticos não reclamam da falta de exposição pública das atividades do benemérito Aike Batista. Moucas e cegas como as peças do museu, as autoridades do Estado de Minas Gerais fingem não ver, nem ouvir, nem sentir o clamor contra a devastação moral, ética, humana, ambiental e tudo o mais que o generoso Aike ignora por onde passa, pisa, explora.

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Nem a intercessão de Santa Conceição – de Mato Dentro – tem sido capaz de impedir que reservas naturais sejam devastadas, que proprietários e moradores em locais próximos à devastação, digo, extrações sejam coagidos a venderem suas propriedades para as empreiteiras e à própria mineradora, o grupo inglês Anglo Ferrous, em conluio com o senhor Aike.

Nesse ponto, entra também a hipocrisia. A hipocrisia e a demagogia verdes. A do Partido Verde. Quando as atividades destruidoras, digo, mineradoras, começaram, o prefeito era José Fernando Aparecido de Oliveira, do PV, que virou deputado federal e depois em candidato a Governador. Todos pelo PV. Todos com o apoio da santa patoquista Marina Silva.

O mesmo ocorre em várias outras partes de Minas Gerais. Destaque para Paracatu,  (veja o vídeo, ignorado pelas autoridades) onde o povo se ilude com um pseudo-crescimento, estimulado pela propaganda enganosa das próprias autoridades(?). Efêmera riqueza aurífera não permite enxergar que o sistema minerador assola e destrói até mesmo o lençol freático do município.

Mas tudo isso não é o mais desolador.

Registre-se que grande parte da bilionária fortuna do senhor Aike provém dessas atividades gangrenosas da mineração em Minas Gerais. Ele não produz nem renda real, nem emprego, só especula. Por tudo isso, o Estado arrecada em torno de R$ 500 milhões de reais por ano. Em outras palavras, Minas Gerais, com 20 milhões de habitantes, precisa de 100 anos, economizando cada centavo dos royalties que recebe para se igualar ao diruptivo senhor Aike.

Isso mesmo, o que o senhor Aike acumulou em dinheiro vivo, Minas precisará de um século para economizar em royalty que recebe pela destruição de suas reservas, suas matas, sua biodiversidade, sua dignidade. Sem contar os prejuízos, os danos irreversíveis, a falta de vergonha, de caráter, de sensatez, não se esquecendo, claro, de que mineração não tem segunda safra. É uma colheita, e adeus. Afora os estragos, e

afora o por fora. Tenho dito.

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