Brasil, titã-anão, rei da hipocrisia, rainha da mentira

09/04/2011 por blogdojua

 O hipócrita é um paciente na dupla acepção da
palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. (Victor Hugo)

A decantada segunda maior democracia do mundo se afunda na lama do radicalismo fruto da intolerância imposta pelo domínio das minorias sobre a maioria omissa, acomodada, perdida em meio a um tiroteio de imbecilidades, mediocridades, atrocidades.

Sendo a hipocrisia o ato de fingir ter crenças, virtudes, idéias e sentimentos que na verdade não se possui, é também o retrato fiel do Brasil de hoje. O deputado Jair Bolsonaro foi execrado por parte da imprensa e até por alguns colegas de Congresso, travestidos de autoridades. A acusação, expor suas idéias e pensamentos sobre o homossexualismo. A verdade. A maior inimiga do hipócrita e não pode ser dita.

A ordem é o fingimento. É ser hipócrita, bem ao estilo da Nação que se forma, deformada. É um País que (re)forma-se moldado na mentira, na falsidade, na impostura, onde a verdade é crime. É abominada. Rechaçada. Proibida.

O País, a Nação, mentem. Mentem para si. Mentem para todos. E proíbem a verdade ou, pelo menos, a sinceridade. Essa é outra qualidade repelida. Criticada. Evitada.

Em “Os Trabalhadores do Mar”, Victor Hugo diz que ser hipócrita é também sofrer. E o Brasil sofre, mas vai demorar séculos para descobrir o porquê. Pois, nos alerta Victor Hugo, ter mentido é ter sofrido. O mentido é ter sofrido, diz ele. “O hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício.

A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga.

Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da deformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso.

O odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpetuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível.

Ajuntai a isso o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. O verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. O traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. O hipócrita é um titã-anão”.

Existe retrato mais fiel desta hipocrisia chamada Brasil? País do fingimento, da mentira, da libertinagem, da liberalidade, da baixaria, da licenciosidade, da intolerância, da falsa democracia, das restrições… Sol nascente da hipocrisia. Procura, hipocritamente, a fonte das insanidades e atrocidades como temos visto, sentido e… sofrido.

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