No Capão da Traição. Dilma não muda de século e nem o Serra de discurso

07/08/2010 por blogdojua 1 Comentário

E ambos se perdem na história. Tá enteindeindo?

Tudo bem! Dilma foi isso, foi aquilo, assaltou isso, explodiu aquilo. Mas muitos naqueles tempos e naquela idade fariam o mesmo. Tempos de idealismo sem causa. Naquelas priscas eras de inocência e infantilidade, qualquer distância era grande, qualquer luta era idealista, qualquer contra era bossa, qualquer caso era causa num mundo manipulado e maniqueísta.

Por aqui, reinava o idealismo debatido no Dolce far Niente das mesas de bar, na leitura “dos cadernos do tenente Hermógenes”. E a ordem era combater pelo bem, cujo protótipo era qualquer coisa que não fosse ianque, o mal. E a qualquer coisa que existia estava sob o comando da União Soviética, que respingava aqui por meio de Fidel Castro e Che Guevara, ídolos da juventude desvairada.

Mas era tudo a mesma coisa, a mesma regência capitalista plantada pelo ídolo Lênin, comandada pelos mesmos Emboabas e Mascates disseminando a discórdia aqui e alhures. O dualismo programado. Energias opostas que se completavam para o mesmo fim. E a balbúrdia da polarização local interessava a ambos os lados.

Boatavam, recrudesciam, intrigavam, ameaçavam, perturbavam, provocavam, faziam o povo tremer de medo, estourar de raiva. Irritada e aterrorizada em meio à desordem, a massa era conduzida, dócil e confiante para onde se quisesse, na maior facilidade. Alguma semelhança com o hoje? Interessava a ambos, EUA e URRS, Emboabas e Mascates, farinha do mesmo saco. E foi o que aconteceu.

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Capão da Traição foi um dos episódios mais marcantes da Guerra dos Emboabas, em MG

A polarização programada, dirigida, manipulada. Uma era que já era e não há tribunal dos tempos. Outros tempos, outros cuidados, diria o filósofo, e não há como julgar, com as idéias do hoje, o que ocorreu há quase meio século sem estimar como, por que e por quem, sobretudo. E vale para os dois lados, tá, Dona Dilma? Seria insano.

O que podemos constatar é que, para muitos, parece que o tempo parou. Ou pararam no tempo. Não cresceram. Não evoluíram. Não descobriram. Continuam com verbos ultrapassados conjugando no pretérito, lutando contra moinhos. Repetindo o mesmo serviço, como outrora, de bonecos de engonço dos eternos manipuladores. As artimanhas, por outros métodos, continuam as mesmas, o engodo tem nova cara e muitos ainda não enxergaram. Dilma é o maior exemplo, ou o mais evidente. Continua entre Sila e Caribdes, não aprendeu com o tempo, não aprendeu com a história, não aprendeu com a vida. Ainda não sabe quem é o inimigo. Ou a estrelinha vermelha não é apenas um simples símbolo de seu partido e tem mais dedos do que as mãos do trabalhador?

Está perdoada pelo passado, mas não pelo futuro. Ao seu oponente, Serra, cabem os mesmos ditos. Com agravante, pois ainda não sabe de que lado está. Ou descobriu que não existe mais lado, apenas dissimula? Alardear que participou da luta armada, terrorismo ou seja lá o que for, é confessar-se igualmente tolo. Que se mudou para a maciota no Chile? Pior ainda. É assinar o atestado de ingênuo. Ingenuidade, aliás, alada a uma imensurável soberba calcada em apreciável poltronice, onde posa de democrata, mas negou a Aécio Neves o direito de expor seu nome à consulta na escolha do candidato do Partido à Presidência da República. Fez renascer as velhas rusgas entre mineiros e paulistas. Teria lhe poupado bons vexames. Aécio, pelo menos, não ficaria preso ao discurso vazio de fatos cinqüentenários.

Serra, de olho preso no próprio umbigo, revela também que só conhece a sua história e ainda não se acostumou com ela, pois chora ao relembrar sua infância. Que meloso. Deveria chorar pelos milhões que também tiveram, e têm, infância difícil, mas não a milésima parte das oportunidades que ele teve. Soubesse outras histórias, saberia que os ranços centenários entre mineiros e paulistas não se apagam com viagens repentinas ao Estado e discursos recheados de generosas doses de adjetivos atributivos. Saberia que a coisa está no cerne. No DNA dos mineiros. Nos embates pelo ouro nas Gerais nos tempos das bandeiras e das minas.

Serra criou para si mesmo um novo Capão da Traição, e terá que picar a mula Sertão a fora, como seus antepassados em 1709, ou perecerá como os 300 daquele tempo, e, como tais, sem abocanhar as riquezas do povo mineiro. Serra não sabe que na mesma proporção que cresce em arrogância e em soberba, exacerba também a rejeição, aflorando a memória dos mineiros que relembram as traições históricas, como na república velha, e não vão engolir novos Washingtons e Prestes que já azedaram o café com leite. Serra parece desconhecer, igualmente, que os mineiros sabem como fazer uma Revolução Constitucionalista, não, necessariamente, aos moldes de 1932. Também não esqueceram das diretas já, quando a turma do Tietê articulou a eleição pelo colégio eleitoral. O intuito era tirar Tancredo da parada. Mas não adiantou. Nova escaramuça na paulistada.

E escaramuçar é uma necessidade histórica em que Minas sempre esteve à frente. Só o Serra não sabe. Assim como não descobriu que Minas e os mineiros sempre estiveram à frente nos momentos de grandes embates na vida nacional. Minas, ao contrário do que Serra imagina, mantém uma forte aliança, mas com o Brasil de todos os sotaques, de todos os sons, de todas as cores, de todos os sonhos, não apenas o dos tilintares das moedas ou do verbo no singular. Minas não trai, atrai e não foge à luta. Minas é plural.

Muda o discurso, Serra! Tá enteindeindo, ô meu?

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