Tartufos cães de guarda – O jornalismo a serviço do sistema

16/12/2008 por blogdojua 

O livro foi publicado em 2004, pela Editora Boi Tempo: Cães de Guarda – jornalistas e censores do AI-5 à Constituição de 1989 -, de Beatriz Kushnir. A historiadora analisa as relações especiais da Folha (e a Folha da Tarde) durante os anos de governos militares. Mas poderia ser estendido a 90% dos jornais da época. Esmiúça as relações do regime militar com os órgãos de imprensa, da censura à colaboração. “O objetivo é iluminar um território sombrio e desconfortável: a existência de jornalistas que foram censores federais e que também foram policiais na função de jornalistas nas redações”, explica Beatriz na introdução do livro.

Outro tema abordado é a cumplicidade da imprensa, “especialmente da Folha da Tarde – veículo onde trabalhavam vários militantes de esquerda até a época em que o jornal ficou conhecido como Diário Oficial da Oban (Operação Bandeirantes) – com o regime militar e seu aparelho repressivo: os diretores do jornal eram ao mesmo tempo funcionários da polícia, reconhecidamente. Eles mesmos confirmam em entrevistas.”.

Ora!, ora!, ora!… A censura daquela época era uma mãezona em relação a atual e a colaboração infinitamente menos servil do que a que existe agora. A imprensa está morta, o jornalismo apodrece. Estão é mal enterrados. A diferença é que, naquela época, havia uma causa. Um ideal. Hoje, não existe causa alguma, a não ser a de dominar, enganar e enriquecer as custa do dinheiro público. O papel(ão) que nossa imprensa apresenta na atualidade não serve nem mesmo para as finalidades atribuídas ao papel higiênico. Nem precisa ir longe para saber. Basta acompanhar única e tão somente as manchetes.

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Em constante conluio com o poder, nem de longe esboça sequer uma idéia de imprensa livre, comprometida com a verdade, ao lado da Nação; não de seu poder eventual, mas que deseja a perpetuação. A imprensa não propaga opinião livre, gera-a. A verdade é um produto da imprensa. O que a imprensa quer, vira a verdade.

Algum tempo nas lides dos meios de comunicação, bastam para reconhecer a “verdade”. Quanto mais universal é um privilégio, menor o poder do eleitorado. A imprensa e os seus associados, políticos, cantores, artistas, atores, autores, ladrões, corruptos, traidores, conservam a consciência de povos inteiros, sob ensurdecedor ressoar de teses, fórmulas, pontos de vista, sentimentos, isso dia-a-dia por anos, qual titereiro a manipular o boneco povo.

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Vivemos acovardados pelo bombardeio dessa artilharia intelectual, que dificilmente poderemos alcançar a independência interior necessária à boa visualização do monstruoso drama. Com essa imprensa, a democracia expeliu o livro da idade mental do povo. O mundo livre, com a sua profusão de pontos de vista que leva ao pensamento crítico e selecionador, esta ao alcance de poucos. Para se alcançar o desejado, basta chicotear a alma do povo para se alcançar a meta. Promover a escravidão intelectual. E esse tem sido o papel(ão) de nossa lastimável imprensa.

Somos um amontoado com pretensões de Nação, mas sem caráter. Sem personalidade. Desunido. Materialista. Egoísta. Individualista. A imprensa ao destruir a aristocracia intelectual, implantou a democracia e corrompeu – Em vez de um governo exercido por homens eleitos por uma sociedade de debates, temos, sucessoriamente, os formados pelo dinheiro, por grupos financeiros, corporativismo, associações, ameaças, pânicos, chantagens. Pressão econômica de todos os lados. Nenhuma escapatória. A chance foi com os governos militares que tentaram dar uma cara para o Brasil. Um sangue novo, novo poder, para a vida e a cultura. E por pior que tenha sido, foi infinitamente superior aos dos últimos 20 anos.

Não fosse por nenhuma obra, por absolutamente nada, seria ainda assim, melhor. Pelo menos podíamos andar, passear, viajar, comprar, namorar, morar, sem o permanente medo de ser assaltado, roubado, fuzilado, maltratado, agarrado, seqüestrado, mutilado, amarrado, matado. Éramos livres, sim!.

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Hoje vivemos na ditadura econômica, financeira, da lavagem cerebral daquilo que se autodenomina democracia. Democracia das escandalosas indenizações. Democracia da roubalheira geral. Democracia da pornografia. Da impunidade. Da malandragem. Da sacanagem. Da bandalheira. Da corrupção. Da manipulação. Dos joguetes. Dos escândalos. Do abafa. Do fingimento. Da vendita. Da safadeza sem fim. Da venalidade geral. Da falta de pudor. Da falta de educação. Da falta de respeito. Da falta de compostura. Da falta de vergonha na cara. Da falta de objetivos que não seja o do lucro financeiro imediato. Da inversão de valores. Da traição. Dos crimes lesa-pátria. Da falta de sossego e por aí a fora.

O Brasil não tem alma própria, vendeu-a e continua vendendo o que restou e o principal camelô é a própria imprensa que dá guarita e protege os contrabandistas fantasiados de autoridades e aos donos do dinheiro, travestidos de empresários e banqueiros, tendo os políticos como atravessadores e aproveitadores.

O papel da imprensa tem se resumido a desinformar e a assustar o povo com o bicho papão, para atender a vontade de seus patrões, o poder. O negócio da imprensa, uníssono, é o de moldar a opinião pública. Esconder, maquiar e inventar fatos de acordo com as conveniências do momento. Em conseqüência, o jornalista, obrigado a seguir as falsidades, acaba perdendo a personalidade e o senso de responsabilidade pública. Tem o despreparo que adquiriu nas escolas. Sem o mínimo compromisso com a verdade. É, de fato, mais do que nunca, cão de guarda pronto para receber as ordens e promover as desordens. Muitas vezes por inocência, tantas ou mais por conveniência. Se não por incompetência. Sente que possui o poder e a consciência evapora. Presta-se a fazer o jogo dos poderosos e manda pro lixo a essência do jornalismo ou aquela que deveria existir.

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A inversão dos valores também faz parte do papel(ão) da imprensa, dos meios de comunicação em geral no desafortunado Brasil. Louva. Engrandece. Destaca. Cala-se diante dos escândalos das “indenizações” milionárias pagas com nossos impostos àqueles que agiram contra o nosso País. Aos que infringiram a Lei e atuaram contra ordem-pública. A quem assaltou. Roubou. Furtou. Matou. Seqüestrou.

Terroristas que queriam, e ainda querem implantar regimes ditatoriais em nosso País. Essa turma que agora empanturra-se com o nosso dinheiro, nunca lutou contra a “Revolução de 1964”, e sim para implantar no Brasil algo muito pior que o Governo Militar, o comunismo, assim como foi em Cuba e em países do leste europeu. A idéia era a mesma e a filosofia também, que havia na Rússia do passado. Atentaram contra o Brasil e agora recebem por isso.

Ao mesmo tempo esta imprensa denigre, mente descaradamente. Desvirtua, reescreve a história ao seu bel prazer, invertendo valores, fazendo de bandidos mocinhos, e de nossos heróis e grandes vultos, de marginais. Gente recebendo milhões porque, em alguma mesa de algum boteco, regado a chope escreveu asneira, desvirtuou fatos, louvou a pornografia, incentivou as drogas, com razão foram censurados, sem razão recebem milhões de nosso dinheiro.

Acaso se algum cidadão, descontente com os rumos atuais do País e com os seus (des)governantes, sair por aí seqüestrando, matando, explodindo, guerreando, assaltando, infringindo a Lei e indo contra a ordem pública, será perdoado e receberá alguns milhões do nosso dinheiro? Pode? Hipocrisia e roubalheira, isso sim!

Formamos, na verdade, um País medíocre. Os atuais donos do poder e seus aliados, tartufos escritos, falados e televisados, golpeiam o casco em violências potenciadas pelos ódios acumulados e recalcados e com o engenho que os celebrizaram e que utilizam-se, com toda a dedicação, em nobres e devotadas causas – as suas.

A imprensa, de modo geral e, sobretudo, a mais graúda, é apenas um trampolim, uma fachada, uma linha auxiliar para jogadas maiores e empreitadas bem mais lucrativas. Quando se assiste aos telejornais o constrangimento é, digamos, pleonasticamente, constrangedor. Ver as caro-lambidas chamar-nos de idiotas e derramar as maiores e mais cabeludas mentiras e ou omissões. Ou ambas, provoca vômito, asco, nojo, náuseas sem fim. Os farofeiros das ribaltas superam-se em termos de sórdida submissão.

“Se nossas gazetas levam a sério algum negócio, é o negócio de tirar da focinheira e exibir novos e terríveis horrores, atrocidades, calamidades iminentes, tiranias, vilanias, barbaridades, perigos mortais, armadilhas, violências, catástrofes – e, então, magnificamente superá-los e resolvê-los. Esta primeira parte é muito fácil. Não se sabe de nenhum caso em que a massa tenha deixado de acreditar num novo papão. Assim que o horrendo bicho tira os véus, ela começa a se agitar e gemer: seu reservatório de medos primários está sempre pronto a transbordar.

A segunda parte não é muito mais difícil. O que se exige do remédio é que ele seja simples, mais ou menos familiar, fácil de compreender – que não representa uma provação para o centro cerebral superior – e que evite conduzir a tímida e delicada inteligência da multidão para aqueles estranhos e dolorosos caminhos da especulação.”. (…).

“Estou ciente de que serei acusado, digamos, de jogar lama sobre minha velha profissão e, em particular, sobre profissionais batalhadores. Mas fatos são fatos. Esta profissão sofreu uma desagradável metamorfose nas últimas décadas. Houve um tempo em que o verdadeiro chefe de quase todos os jornais importantes era um jornalista praticante, que tinha orgulho de seu trabalho e uma honrosa reputação no ramo, pelo menos no local. Para o repórter mais jovem, este sujeito era um ídolo. Suas teorias sobre jornalismo eram ouvidas e citadas, seu estilo era imitado e todo foca na equipe queria seguir suas pegadas.

Hoje, o verdadeiro chefe de um jornal tende cada vez mais a tornar-se uma figura sombria nos bastidores. Ignorante das tradições do jornal e do seu modo de pensar, e grosseiramente empenhado em empreitadas que colidem frontalmente com o que resta dos ideais deste jornal. Esse homem está além do círculo jornalístico (…).

A primeira conseqüência é a de que a profissão em si deixa de ser charmosa; já não é mais uma cooperação romântica entre pessoas livres e iguais, mas uma forma de trabalho parecida com a de uma oficina de laminação, tendo o sindicalismo como a única forma de torná-la suportável.

A segunda conseqüência é a de que os homens que, no passado, entraram para a profissão com um alto senso de dignidade resolveram seguir outros rumos, enquanto o típico recruta de hoje é um jovem andrajoso e de oitava categoria, sem mais capacidade para o auto-respeito profissional do que um coletor de lixo.”. (…). – Extrato de um texto do início do século passado, de H. L. Mencken. Mostra o quão somos atrasados até mesmo em relação ao atraso, à decadência moral e intelectual, aos desvios e às falcatruas.

Si non é vero, é bene provato.

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