A última partida – Nada é por acaso

BlogdoJua – 04/12/2016 10:51h

De como a defesa milagrosa do goleiro Danilo classificou a equipe para a partida final

E se a bola entrasse e reinasse, não a euforia, mas a tristeza? Quantas lamentações? Quanto choro? Quantos culpados teríamos? Foi o técnico? Foi o juiz? Foi o goleiro que não fez milagres? 

A torcida caiu em delírio. Jogadores e técnico não conseguiram segurar a exaltação. Era o finalzinho da partida entre Chapecoense x San Lorenzo, da Argentina. Um gol, tirava o clube catarinense da sonhada final.

O atacante adversário ficou de frente para o gol. Chutou. A queima-roupa. Danilo rebateu com o pé e classificou seu time para o jogo contra o Nacional da Colômbia numa inacreditável e histórica defesa. Um herói!, estampavam as manchetes.

O locutor gritava de emoção, assim como todo o País desportivo que acompanhava a partida… mal sabendo que era o início da última partida que narraria.

Euforia sem limites. Danilo, o herói. Festas. Gritos. Alegrias incontidas. Carreatas, buzinaços. Estava carimbado o passaporte para a partida final.

Camisas trocadas usadas na Argentina

Neste sábado, dia 3, o adversário eliminado pela Chapecoense, o San Lorenzo, entrou em campo e jogou com o uniforme de quem os eliminou da final.

Ao fim daquela partida, e que o time “perdeu um gol feito” – que o classificaria – para o “milagre” de Danilo, em meio as lamentações de um lado e a euforia do outro, os jogadores trocaram as camisas. E mudaram os destinos? Não nos precipitemos…

Destino ou livre arbítrio?

Para alguns, ele não existe. Para esses, é o livre arbítrio é quem decide as coisas. Para outros, como este que escreve, maktub! Está tudo escrito e, por mais que tentamos, nos esforçamos para desviarmos da rota, um grande ímã nos levará de volta ao caminho a seguir… Ao destino. 

E sempre a algo estranho, acima de nosso entendimento no livre arbítrio. É como, por trás, algo ou alguém nos empurra para a rota original…

Causa e efeito espirituais

Na doutrina espírita, nós, com nossos pensamentos, sentimentos e ações, criamos causas e os subsequentes efeitos. O caráter positivo ou negativo das causas vão gerar o gênero desses efeitos. É uma Lei que não castiga e nem premia, apenas reajusta as ações do livre arbítrio. Age devolvendo o caminhante desviado e perdido à via correta do bem e do progresso espiritual pelas encarnações sucessivas. Quantas forem necessárias.

E são nestas idas e vindas que vamos alcançando a evolução espiritual, como nos revelam os escritos sobre Capella, estrela da Constelação do Cocheiro, a exemplo de Os Exilados de Capella.

É a Lei de Evolução ou do Progresso que rege a transformação contínua de tudo o que possui vida, e com as existências múltiplas, vamos corrigindo nossas imperfeições, transformando nossos defeitos e debilidades em virtudes ou qualidades, que nos empurram à conquista da vida espiritual. A aplicação do nosso livre arbítrio fará com que essa Lei nos faça caminhar pelas trilhas do bem, do amor e da felicidade ou ao contrário, pelo caminho da dor.

Não lamentar

Em vários de seus numerosos livros, o escritor Paulo Coelho lembra-nos de não lamentar infortúnios. Um pneu furado, por exemplo, pode não atrasar a viagem, mas prolongando a vida, evitando um infortúnio ainda maior à frente. Um atraso da providência divina.

A harmonia do não agir

Na filosofia taoista chinesa há o wu wai, o misterioso não agir. Não fazer, princípio prático central da filosofia taoista. No simples, deixar acontecer. O que tiver de ser, será.

O caminho é uma constante não-ação que nada deixa por realizar.” Capítulo 37 – Tao Te Ching.

Não se precipite nem se desespere que tudo realiza e resolve. 

O SÁBIO, seu ALAZÃO, o filho e o DESTINO

Diz a lenda que um sábio, embora pobre, vivia bem com seu filho e seu belo alazão a quem todos invejam pela beleza, pela força, pela destreza. Todos queriam comprá-lo.

Resultado de imagem para Em uma vila bem distante vivia um velho muito pobre. Ele possuia um cavalo branco que era belíssimo e de muito valor. Todos tinham muita inveja dele. Os reis e os nobres tinham ambição pelo cavalo

__Não se vende um amigo!, respondia.

Um dia o cavalo sumiu. Todos da aldeia lhe disseram: “Velho estúpido. Que desgraça! Seu cavalo foi roubado”. O sábio disse: “Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Esse é o fato, o resto é julgamento.

Uma semana depois, o cavalo voltou. Com ele, vários outros cavalos selvagens. Não tinha sido roubado. Apenas foi dar umas voltas.

Mas os vizinhos se apressaram: “Velho, você estava certo. Não se tratava de uma desgraça, sim, de uma benção”. O sábio retrucou: “Vocês estão se adiantando mais uma vez. Apenas digam que o cavalo está de volta. Quem sabe se é uma benção ou não? É apenas um fragmento. 

Dias depois o filho do sábio começou a treinar os cavalos selvagens. Foi derrubado por um deles e fraturou as pernas. E toda vizinhança gritou. Que desgraça! Você tinha razão. Seu único filho, agora, entrevado por um bom tempo. Logo ele, que lhe ajuda tanto…

E o sábio disse: “De novo estão julgando. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma benção. A vida vem em fragmentos”.

Mais uma semana, veio a guerra. Todos os jovens da aldeia convocados. Menos o filho do sábio. Recuperava-se das fraturas.

Novamente todos dirigiram-se ao sábio, chorando por seus filhos. “Você tinha razão, velho – aquilo se revelou uma benção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos se foram para sempre”. O sábio respondeu: “Vocês continuam apressados. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi. Mas só o futuro dirá se isso é uma benção ou uma desgraça”.

Final de jogo. Salvos no último minuto, jogadores da Chape comemoram, enquanto os do San Lorenzo lamentam o “azar”…

A alegria incontida em Chapecó, levou a um final trágico. A tristeza profunda dos argentinos transformou-se na salvação.

Não julguemos, mas talvez fosse bom refletirmos sobre isso.

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