Concursos públicos – ideologias à parte, aberrações em toda parte

Flexibilidade, dinamismo, pró-atividade, otimização, qualidade total, gerenciamento, contingenciamento, explicam nada de coisa alguma, mas escondem ideologias de domínio e exploração dos povos
Caso vivo, Cazuza certamente continuaria de coração partido, com suas ilusões perdidas, sentindo seus sonhos vendidos por tão baixo preço que nem acreditaria.
Choraria quando cantasse que aquele garoto que ia mudar o mundo, é o mesmo que, agora, freqüenta as festas do Grand Monde…
Voltaria para o analista sem saber quem é. Veria que a ideologia chegou arrasadora. Borbulhando por todos os poros da Nação…
Caso Cazuza fosse prestar concurso para qualquer coisa veria que até aí a ideologia pilantra e traiçoeira instalou-se. Plantada. Implantada. Na marra. Impostora. Posta. Imposta.
Você que depositou as esperanças no garoto que ia mudar o mundo, e agora numa estabilidade profissional, deve saber mais que direito, português, matemática, informática. Além da apostila, está a cartilha, ditada pela matilha.
Como condição primordial, acima das apostilas didáticas, o candidato a cargo público, obrigatoriamente, deve assimilar os valores, as regras e a mentalidade que os golpistas internacionais impõem como doutrinas a quem esteja ou pretenda estar na esfera dominadora, e o governo brasileiro, submisso e obediente, acata.
gregorio título
Somam-se aos estudos de artigos, incisos e parágrafos dos vários ramos do Direito — administrativo, civil, constitucional etc.; verbos, advérbios e substantivos. Cálculos, regra de três e álgebra; história do Brasil; as intelectuais e exemplares damas Tati Quebra-Barraco a Bruna Surfistinha, o candidato precisa saber, de cor e salteado, as orientações do modelo ideológico que se implanta, visando à criação de mentalidade alinhada com os interesses de governantes e exploradores em geral da iniciativa privada.
O jornalista Hugo RC Souza do Jornal Hora do Povo apurou, por exemplo, que as chamadas noções de administração, são, na verdade, um conjunto de princípios eleitos como referências do que é correto, verdadeiro ou legítimo. Isso, mesmo que se trate da administração pública, no ponto de vista dos mandatários.
Em seu levantamento, o jornalista descobriu vários exemplos que deixam às claras a imposição ideológica aos candidatos e aos concursados. Para começar, o País, os estados e os municípios, são tratados como se fossem grandes grupos empresariais privados, cujo único objetivo é o lucro.
As metas, além da imposição de uma ideologia política, é também a de adestrar os concursados, utilizando dogmas das empresas privadas e aniquilar os obstáculos ao grande capital na administração pública. A tecnologia da gestão contemporânea é apresentada como livre de contaminação política – ideológica — como se não merecesse esse nome a ideologia das classes dominantes que está por trás de tudo isso.
O patronato e suas grandes empresas que encarnam monopólios ou oligopólios mundo afora, atuam na linha de frente da exploração generalizada — com a anuência de governos entreguistas e com o apoio do monopólio dos meios de comunicação transformados em grandes e mafiosos negócios. Hoje, os inimigos do povo vêm tentando impregnar a tudo e a todos com os princípios que regem as regras, baseados na rapina e com a lógica que orienta os grandes patrões, a de trabalhar contra os interesses do País e de seu povo.
Assim, palavras e expressões tão simpáticas à primeira vista, como flexibilidade, dinamismo, pró-atividade, otimização, qualidade total e gerenciamento, escondem valores ideológicos e buscam sua disseminação, como se fossem absolutos e auto-evidentes, com status de achados científicos, sem contestação.
Uma das maneiras encontradas para tentar convencer mais rapidamente os trabalhadores de que essas mentiras são verdades inquestionáveis, foi transformá-las em matéria a ser estudada para as provas de concursos públicos, sob o eufemismo de noções de administração.
A brutalidade e a humilhação não são poucas: como crianças diante dos ensinamentos da cartilha, caso discordem ou duvidem, a pena para os candidatos é a reprovação. Um método infalível para a implantação da ideologia mercantilista no tratamento da coisa pública está nas faculdades, hoje obrigatórias, de Administração Pública. Curso inventado para a lavagem cerebral e a imposição definitiva dos métodos
De dois ff se compõe este País: um furtar, outro f…
Em 2007 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aplicou provas para selecionar funcionários. O concurso foi organizado pela Universidade de Brasília – UnB. 801 vagas em disputa, entre nível médio e superior. Uma das questões de múltipla escolha, o significado de A Administração Pública Gerencial. No gabarito, a opção correta: É uma resposta, de um lado, à expansão das funções econômicas e sociais do Estado e, de outro, ao desenvolvimento tecnológico e à globalização da economia mundial.. O que não foi dito, nem explicado, é que a globalização da economia mundial é uma guerra planetária movida pelo capital monopolista contra nações e povos do mundo inteiro. A globalização e suas técnicas de gestão minguam o mercado de trabalho, impõem aberrações como a que chamam de flexibilização (perdas) das leis trabalhistas, arrasando direitos e atentando contra a capacidade de resistência organizada da população, sempre, claro, com a mão amiga da imprensa venalizada, tudo fazendo parte de um plano maior que a implantação da ditadura do governo único mundial. Os organizadores do concurso partiram do pressuposto de que o Estado deve aderir à falsa idéia de que a globalização, além de ser inevitável, é também o paraíso da livre-concorrência e da geração de empregos. Como apregoou fernando henrique cardoso, fhc, O PULHA, ao lotear e entregar o Brasil à especulação mundial.
O espírito traiçoeiro de fhc continua assombrando, incorporado em lula da silva, e a truculência do poder econômico invadiu os concursos públicos, exigindo alinhamento total do candidato e que vão contra os próprios interesses de classe ou aos do próprio, mas fundamental para os planos de domínio e escravidão mundial.
Na mesma prova do concurso do TSE, a questão pedia um exemplo de paradigma em determinada situação. A resposta correta era o do cliente na gestão pública. A resposta verdadeira, O paradigma do Estado é aquele em que o cidadão é visto pelo governo como cliente, primando pela qualidade total.
A visão gerencial do mundo tenta transformar países inteiros em empresas gigantescas, especializadas basicamente em criar facilidades para o capitalismo monopolista e muito competente para marginalizar todo seu povo em nome dos interesses do poder econômico, por consequência o domínio e subjugação dos povos. Verdadeiras ofensivas predatórias, rapinagens travestidas de tecnologias da gestão contemporânea… Correto continua sendo Gregório de Matos que há 400 anos já sentia que País é este, como a Bahia daqueles tempos: de dois ff se compõe: um de furtar, outro de f…

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