Pássaros como testemunhas

Do BlogdoJua de 03/12/2016 – 09.48h

Justiça dos EEUU convoca papagaio como testemunha de um crime

Em Michigan, EEUU, um papagaio deverá ser intimado a comparecer perante a Justiça como testemunha de um crime.

Glenna Duram, 46, é acusada de assassinato em primeiro grau. Ela é a principal suspeita de matar o marido, Martin, de 45 anos, em 12 de Maio de 2015. Após atirar, ela teria tentado se matar, mas sobreviveu ao tiro na cabeça.

O suposto assassinato suicídio tem chamado a atenção devido a uma testemunha incomum, o papagaio de estimação do casal. Semanas após a morte, a família de Martin Duram ouviu o pássaro repetir o que acredita-se ser as últimas palavras da vítima:

Não atire, p****!”.

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Bud, a testemunha

Diante dos fatos e da insistência dos pais da vítima, o promotor do caso adiantou que não está afastada a possibilidade de colocar o papagaio africano, Bud, como testemunha de acusação.

A vítima foi morta com cinco tiros, enquanto a acusada, que tentou suicídio, sobreviveu a um tiro na cabeça.

A mãe de Martin, Lillian Duram, insiste o papagaio, Bud, narra o que soa como uma repetição do que teria ouvido durante o crime, inclusive mudando o tom de voz de masculino para feminino.

“Esse pássaro pega tudo e repete qualquer coisa que ouve, e ele tem a boca muito suja, disse.

Eu, pessoalmente, acho que ele estava lá, que se lembra do que aconteceu e repete as palavras usadas”, disse o pai de Martin, Charles.

OS PÁSSAROS COMO TESTEMUNHA – A MORTE DE IBICUS

Conta a história que, na Grécia antiga, um bando de grous denunciou os assassinos de um famoso poeta, no episódio que ficou conhecido como a “Morte de Ibicus”, seis séculos antes de Cristo.

Ibicus, poeta grego, inventor do Sambuco, instrumento musical, escreveu sete livros de poesias líricas. Era muito respeitado e querido por todos.

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Grous, testemunhas e vingadores de Íbicus

Teve vida errante, sempre se deslocando entre as várias partes da Grécia. Contam que, em uma dessas suas viagens, rumo a Corinto, já velho, foi atacado por dois bandoleiros.

Os bandidos levaram-no para uma praia deserta, onde foi morto e roubado.

Antes de morrer, porém, o poeta avistou um bando de aves (grous), ao redor e pediu-lhes que fossem testemunhas e vingadores de seu covarde assassinato.

Os ladrões riram do apelo inusitado e da delegação singular. Mataram, enterraram Ibicus na areia, e fugiram.

Anos depois, esses ladrões assassinos encontravam-se em um anfiteatro em Corinto, enquanto Grous esvoaçavam sobre a plateia. 

_Lá se vão as testemunhas e vingadores de Ibicus!, exclamou um dos assassinos.

Ibicus era famoso e respeitado. Seu desaparecimento ainda era um mistério e as pessoas não o haviam esquecido. As palavras do ladrão assassino despertaram a curiosidade. Atinaram que os dizeres irônicos e sarcásticos poderiam estar relacionadas ao sumiço do poeta.

Presos e interrogados, os bandidos confessaram o crime. Foram condenados e mortos. E as aves, testemunhas e vingadores do artista.
LEIA TAMBÉM:

As testemunhas de Valdivino – E os pássaros vingadores.

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