Brasil de republicanos, tucanos, petê. Colonialismo. Servilismo. Globalismo. Entreguismo. Comunismo. Trairismo.

Lições da crise europeia ao Brasil vistas por um russo em 1945 na França

Alexandre Kojève nasceu em  28 de abril de 1902 na cidade de São Petersburgo, na Rússia czarista, e exerceu grande influência sobre a Filosofia, a política, e economia de uma França aos frangalhos do pós-guerra.

Nesse país, foi professor e ocupou lugar estratégico no Ministério da Economia e Finanças, com participação ativa na concepção do Mercado Comum Europeu;  no Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT) e, entre outras importantes funções, foi secretário da Organização Europeia de Cooperação Econômica (OECE).

Por mais de 20 anos (morreu em 1968) foi conselheiro do governo francês sobre os assuntos de maior relevância, com posição de primeiro plano em todas as negociações internacionais. Uma espécie de eminência parda em estratégia e relações exteriores.

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Documento premonitório

Em 1945, Alexandre Kojève elaborou um conjunto de conselhos ao General de Gaulle, posteriormente publicado como ensaio, intitulado L’Empire latin (O Império latino), subtitulado Esboço de uma doutrina da política francesa.

60 anos depois, o documento continua atualíssimo, transformou-se numa premonição e em lição para a França, demais países europeus de origem latina e, principalmente, para o Brasil descarrilado desde todos os tempos em que navega em rumo incerto.

A geopolítica apresentada por Kojève parece texto retirado de alguma publicação econômica moderna sobre a União Europeia ou planos de integração como ALCA, Mercosul, Parceria TransPacífico (TPP).

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De Gaulle – Premonições

Alemanha como principal potência econômica europeia

Seu documento, com incrível precisão, previa algo inimaginável para aquele momento de Europa arrasada e, sobretudo, de uma Alemanha totalmente arruinada, desmoralizada, desfigurada, catando os cacos.

Escreveu Kojève a de Gaulle, em 1945: “Em breve, num espaço de tempo bem menor do que possa-se imaginar, a Alemanha tornar-se-á a principal potência econômica europeia e deixará a França apenas o segundo lugar no seio da Europa Ocidental.”.

O filósofo enxergava o que era apenas trevas para a maioria: o fim dos Estados-nações que até então traçara os rumos e a história da Europa:

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“Assim como o Estado moderno nasceu em consequência da bancarrota do feudalismo, os Estados-nações ceder-se-ão  ao estado Transnacional, além de suas fronteiras nacionais”, qualificados por ele como impérios. Ou seja, pela decantada globalização.

Não é tudo. A base dessa nova ordem sustenta-se em apenas um, o da economia, e não no mais forte dos sete pilares da cultura humana: O Mito, o Místico (religião e religiosidade), a Filosofia, a Ciência, a Política e a Ética. A quem inclui um 8°, a arte.

Erigiu a Sabedoria sua casa, construiu suas sete colunas 

(O Livro dos Provérbios. Capítulo IX 1. Vol. IV).

Ao considerar apenas o pilar econômico, relegando a cultura, a religião, as tradições… as nações mergulham-se em princípio escuro, profundo, sem fundo, da bancarrota, a exemplo do que ocorre na Europa.

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Urgência em regressar às ligações culturais

Segundo Kojève, com esses ‘impérios’ ou, no linguajar atual, com a globalização, extermina-se a unidade, sobrepondo a economia à cultura, à língua, aos costumes, à religião, distanciando-se do povo.

Alianças, mas alicerçadas na cultura

As alianças, programas, iniciativas de integração como o Mercosul deveriam ser “unidades políticas transnacionais formadas por nações aliadas”, com base e apoio na cultura, a religião, os costumes etc., comuns.

O universal é fruto do particular

Antevendo o que ocorre não apenas na Europa mas, de um modo geral, em todo o mundo por meio da exterminação dos valores tradicionais, Kojève propunha à França a criação de um “Império latino” que, naquele momento, uniria econômica e politicamente as três grandes nações latinas do continente, (França,  Espanha, Itália, e ainda Portugal, Romênia…), com o apoio da Igreja católica e abrindo-se ao Mediterrâneo, considerando suas tradições, cultura, raízes comuns.

Atualmente, enquanto a União Europeia (UE) luta pela sobrevivência, confirma-se o que Kojève previu. Uma pretensa União Europeia com base apenas e rigorosamente econômica, deixando de lado as ligações entre as formas de vida, de cultura, de religião.

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Minoria rica sobrepondo-se à maioria pobre

Desconsiderados os valores, a pretensa unidade enfatizou as diferenças, resumindo-se a impor a uma maioria mais pobre os interesses de uma minoria rica que, por “coincidência”, e com frequência representam os de uma só nação, “que no âmbito de sua história recente nada indica podermos considerar exemplar”. A Alemanha.

Resume o filósofo italiano Giorgio Agamben:

_ Não só não faz sentido pretender que um grego ou um italiano vivam como um alemão; mas ainda que isso fosse possível, significaria a perda daquele patrimônio cultural que é feito, sobretudo, de formas de vida. E uma política que pretende ignorar as formas de vida não só não está destinada a durar, mas, como a Europa mostra eloquentemente, não consegue nem se constituir como tal.

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Brasil, ditadura proletária

São exemplos claros, práticos, pontuais para o Brasil desnorteado e, sobretudo, para seus aventureiros ideólogos.

O Brasil desagrega-se. Valores são usurpados, vilipendiados. Sua cultura, tradições, religião, afrontados, menosprezados, ultrajados com decisões, leis descabidas, sem o voto ou apoio popular, seguindo sabe-se lá o que e, em muitos casos apenas como desvio de foco enquanto preparam o golpe final da ditadura proletária.

Há quase 20 anos, paulatinamente, e em três governos, o Brasil vem desmontando a sua unidade cultural em seus aspectos mais amplos, e em todos os sentidos e direções.

Único apego, o econômico, disfarça a desfaçatez

O único apego governamental é a economia. Tanto em âmbito interno, quanto externo com suas alianças (dúbias, discutíveis, muitas vezes servis ou apenas de ideologia grupal), desprezando totalmente as tradições, a cultura, a religião, os costumes, o folclores e tudo o mais que forma a base secular de uma Nação e, mais ainda, de uma civilização. Uma desfaçatez.

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Sabida e comprovadamente a cultura (a verdadeira, não as estripulias de gente como Martha Suplicy) seria a organização simbólica do mundo, ou a dimensão simbólica expressiva da vida social.

_ Cultura é o conjunto de sentidos e significados, de valores e padrões, incorporados e subjacentes aos fenômenos perceptíveis da vida de um grupo social concreto, conjunto que, consciente ou inconscientemente, é vivido e assumido pelo grupo como expressão própria de sua realidade humana e passa de geração em geração, conservado assim como foi recebido ou transformado efetiva ou pretensamente pelo próprio grupo.

Separando o Estado da sociedade

Exterminada a cultura, sobretudo pela invasão, inversão, imersão num mundo alheio às tradições locais, dissocia-se o Estado da Sociedade, estabelecendo-se classes e grupos sociais dominantes – político, governantes, capital – e subalternos, esses a grande maioria do povo.

Formando uma civilização

Cultura pode ser sintetizada numa sobreposição de crenças, conhecimentos, costumes, modos de produção, artes, linguagem, leis, moral, padrões de relações de convívio, instituições, aptidões e riquezas, serviços e folclore, sentimentos e festas, que formam, estabelecem, representam um modo de vida de uma comunidade, de uma sociedade, de uma Nação.

Após dias, meses, anos, décadas, séculos, essa cultura forma-se uma civilização. Em 10 mil anos, a história indica cerca de vinte e seis civilizações formadas nesses pilares. O Ocidente é herdeiro patrimônio de todas elas e, em particular, o Brasil miscigenado.

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Uma vez que se abole Deus, o governo se torna Deus Religião como fator agregador

Marco da identidade nacional, a religião é fator agregador e imprescindível na formação de uma sociedade, uma coletividade, uma civilização. O “Estado Judeu” sobreviveu graças à unidade religiosa. O fim dessa unidade significaria o fim dessa Nação.

No Brasil, foram e são tantos os ataques, a dispersão, a desmoralização, a perseguição, a inversão, que o País e, sobretudo a Nação, perdeu-se na confusão. Sem valores éticos e morais, afunda-se na perdição, no crime, na impunidade.

Com políticas débeis, subservientes, covardes, a educação mergulhou-se nas trevas. Muitos não sabem o básico sobre os valores de cidadania, deveres e responsabilidades sociais, respeito ao próximo, a busca da vivência e do respeito humano.

A arte zombeteira

A arte é um rebuscado de baboseiras e qualquer imbecilidade é reverenciada. A música é um exemplo (e dos piores) da lama podre em que nos atolamos ou nos atolaram.

E todos os demais pilares seguiram o mesmo fim do desprezo. O único a ser considerado é o econômico, mesmo assim tendo como princípio os exigidos pelos “parceiros” na globalização, desconsiderando-se todos os demais como aqui apresentados.

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Brasil, imensidão de ironias. Do colonialismo ao globalismo

Forma-se a máxima das ironias. O Brasil, que surgiu no século XVI como província do colonialismo, ingressou no século XXI como província do globalismo, tal e qual no nascedouro, sem personalidade, sem honra, sem ideias, sem vida nem vontade próprias, desprezando-se a si mesmo, a sua história, o seu povo de ontem, de hoje e de amanhã.

Depois de séculos de cambaleantes aventuras, entremeio ao mercantilismo, colonialismo, imperialismo, mergulha-se no globalismo, vangloriando-se dos passos para atrás de um mero e servil subsistema da economia global.

Após ignorar, maltratar, jogar no lixo os seus sete pilares, com destaque para a religião, costumes, tradições, ciência, a política, a Ética ingressou no século XXI como simples província do capitalismo global; revelando-se caso de incorrigível dependência, com sinais claros de recaídas ainda mais profundas considerando o que acena-nos os serviçais de plantão.

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Armadilhas históricas

A mesma armadilha ideológica foi utilizada na Rússia a partir  segunda metade do XIX. Exterminaram a cultura, violentaram as tradições, destruíram e desmoralizaram as instituições políticas e sociais, tudo para abrir o caminho para o que chamavam de uma nova sociedade.

Utilizaram-se de medidas extremas, terrorismo e assassinatos, em massa, inclusive. Destruíram uma Nação, construíram uma natimorta União Soviética dos horrores stalinistas, dos campos de concentração, das perseguições, dos assassinos.

E está assim, nossa neocolônia das terras brasilis…

“As grandes nações escrevem a sua autobiografia em três manuscritos: o livro dos seus feitos, o livro das suas palavras e o livro da sua arte” –  John Ruskin

Publicado originalmente

em 10/05/2013 – 18.31h

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